Scrambler 1200 dois anos depois

Atualizado: Ago 10

Algumas motos transcendem o tempo e o espaço. Essa é uma delas


A Scrambler 1200 é uma Triumph que foi projetada para unir o universo das motos de aventura ao universo das motos de estilo clássico tudo isso ao mesmo tempo em que oferece uma dose espantosa de desempenho on e off-road. Parece que ela foi lançada outro dia, mas nós piscamos o olho e dois anos se passaram desde que a Triumph trouxe a máquina para o Brasil. Quando isso aconteceu eu tive meu primeiro contato com ela, o que gerou esse vídeo:



E ontem, dois anos depois, pilotei ela e mais uma vez tive a certeza de que nenhuma outra moto se aproxima mais de uma big trail do que essa. Mesmo no asfalto ela é uma legítima moto de aventura. Com o guidão largo e as pedaleiras compridas, o manejo na estrada é natural e a moto oferece exatamente a estabilidade que você espera de que uma moto dessas possa te entregar para curtir ela na estrada, seja a 100km/h ou a 180 km/h.


Quando você se inclina em direção ao guidão para minimizar o arrasto aerodinâmico a estabilidade aumenta ainda mais. Provavelmente é algo que você vai querer fazer porque é uma moto alta (227 kg com todos os fluidos) feita para andar rápido (90 cv a 7.400 rpm) e sem nenhuma proteção aerodinâmica. A Scrambler 1200 que andei ontem foi a XE, versão mais off e tinha uma pequena bolha parabrisas que não vem instalada de fábrica mas faz parte do catálogo de acessórios da Triumph. Essa peça instalada na Scrambler deixa a moto ainda mais charmosa, mas não muda em nada a forma como o vento força meu tronco, braços e cabeça em velocidades mais elevadas.

Existem momentos em que é preciso renegar as raízes “freia-na-curva” e ao invés de baixar o giro da moto nas curvas, subir ele.

Tendo pilotado a nova Africa Twin 1100 há poucos dias, não posso deixar de notar que a Scrambler tem mais suspensão do que a nova versão da lendária moto off-road da Honda. São 250mm de curso tanto à frente quanto atrás contra 230/220 mm na Africa Twin 1100. A suspensão na Triumph tem uma sensação mais progressiva também e na prática um funcionamento em que é difícil ela mergulhar demais, seja acelerando ou freando. Fim de curso, nem pensar. A não ser que alguém decida fazer motocross com ela, o que claramente não é a proposta.


Para mim a situação mais crítica na pilotagem com ela é quando as curvas são bastante fechadas e você quer manter a aceleração. A questão é comigo. Até hoje tenho uma certa dificuldade em fazer curvas fechadas em motos com aro 21 na dianteira. Claro que esse problema pode facilmente ser resolvido reduzindo a velocidade, mas sabe como é né? Existem momentos em que é preciso renegar as raízes “freia-na-curva” e ao invés de baixar o giro da moto nas curvas, subir ele. É muito mais divertido.


Depois de ter andado novamente na Scrambler 1200 eu acredito de verdade que ela possa ser uma alternativa para alguém que procura uma moto aventureira mas por qualquer razão não está afim de pegar uma big trail. Ou pelo menos, não uma big trail “convencional”. Porque a Scrambler 1200 definitivamente é uma big trail.



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