Por um motociclismo diverso, igualitário, plural e menos sexista.

Atualizado: Nov 16

Hoje eu acordei com vontade de instigar no que diz respeito as "normas e valores" que mantêm as coisas como são, o rebanho reunido e as vias de mesmice.Sim vamos provocar “tradições”.

Aviso: Existem dois links no texto, para compor a cena de forma mais prática e ajudar na compreensão dos pontos de vistas. Já começando com o patriarcado, que rege o mundo desde uma parte do tempo que começou a dar muito errado, até os dias de hoje, onde há pessoas com quem devemos discutir coisas óbvias e explicar, como tarefas domésticas, e que tem suas responsabilidades com a casa, esta ligada diretamente aos seus moradores viventes, indiferente a sexo e gênero.





Senta que lá vem textão, pois abordaremos objetificação, papéis de gêneros e marketing predatório (de novo!). Se eu tenho percebido alguma coisa no motociclismo, é que tem muita mulher ocupando um lugar que nunca deveria ter saído: o de protagonista da própria história. Simples assim, mulheres vivendo suas vidas e ocupando esse lugar de protagonismo, em cima do banco da moto, atrás do tanque de gasolina, nas bombas de posto, nas faculdades, nos hospitais, forças de segurança (ainda que bem modestamente), mas no lugar de onde aponta a bússola de seu desejo de viver e pertencer. E ainda bem...



Estranho, né?Tá na hora de usar empatia então...

Estão fundando motoclubes, motogrupos e coletivos, criando tendências de modas para outras motociclistas, inspirando outras mulheres a fazerem o mesmo, e não só guiarem motocicletas, mas retomando as rédeas da própria vida, um protagonismo que de alguma forma tentaram silenciar. Aqui já cabe reflexão, quantas mulheres que você conhecem que dirigem motos (sim, aprendi com o Thiago Moreno, piloto, é só nas pistas… ) Quantas mulheres vocês admiram de forma genuína pelo trabalho que elas fazem sem erotização apelativa? Você acha normal a objetificação normal, e se incomoda com uma mulher amamentando?

David Mann, aqui retrata outra arte em um contexto diferente.

Lojas, artigos e coisas que vem resgatando a herança old school ( com um sabor de novo com coisas que não vivemos) , que se estende da moto, para o ser humano desejante, cabelos compridos, coloridos, unhas pintadas, piercings, tattoos, e uma lista quase sem fim, e eu acho muito fascinante tudo isso, e de alguma forma também, estão criando um nicho que acho delicado, o lugar de modelo. Delicado, se vocês estavam no planeta terra e mais preciso, no Brasil, sabem do caso Mari Ferrer, onde houve vazamentos fotos do seu próprio Instagram de modelo, usadas pelo advogado de defesa de um estuprador que até então segue em liberdade... e um detalhe, as fotos eram fotos comuns, não tinham nada demais e ainda mesmo que tivesse pelada, não justifica tal barbárie, e se houve algum erro ali, por incrível que parece foram cometidos por quatro homens, um advogado, um juiz, o promotor e o acusado.



Mulheres pilotando... imagens raras do David Mann

De uns meses para cá, que comecei a seguir esses perfis mais engajados com o tema de motocicletas, nas redes sociais, com o cartão de visita do portal Motorama ( paga eu e o Thiago) comecei a observar essa mudança também pelo viés sensual e sexual, que tem mais garotas fazendo ensaios em motos, o que de um lado é muito bom. E sim, esse é um lugar e não lugar de fala, afinal apesar de ser homem, latino americano, sem grana no banco, sem parentes importantes (classe média baixa) e do interior das províncias de Minas Gerais, o que eu tenho haver com isso e por que estou nesses moinhos de vento? A resposta é simples, por que eu sou um ser humano e consigo sentir empatia. Se isso não basta. Dê uma pausa aqui e vão ler Maria Rita Khel, psicanalista, Sobre o lugar de cale-se!



Reparem bem nessa arte e nas roupas... - Arte : David Mann

Então nesses devaneios, eu me pego a pensar, qual a linha entre o ensaio sexual, que a mulher ali ocupa, é de sujeito de desejo, dona da própria vida, ou de uma espécie de um processo de uma herança que ainda a objetifica? Parece meio obscuro ainda? Então é só fazer o caminho reverso… Se você se colocaria em um lugar assim, de objeto, para funções de marketing ou click bite, acho que não né? Mas se a resposta for não, é hora de repensar certas atitudes. Segue o link : Publicidade debocha do uso sexual da mulher

Essa propraganda te desperta desejo de uma Moto?

Ainda dá para devanear o quão disfuncional seria um salto agulha, ou roupas que queimaria sua partes baixas em um banco de moto ao sol do meio dia, e eu sei que há um certo apelo artístico nas coisas, mas as vezes, talvez seja isso, tem coisas que ficam apenas bonitas para serem vistas, como as pinturas do David Mann, contextualizadas em sua época que de alguma forma envelheceram , algumas bem outras nem tanto, assim como aquelas motos rabo duro, em rodovias totalmente esburacadas, mas não tem ou desempenham uma boa função no deslocamento, embora a gente fique olhando por horas e horas na internet, porém as motos são objetos, as mulheres não. Uma outra pergunta, qual seria a reação caso sua companheira, namorada ou esposa, manifeste o desejo de fazer um ensaio fotográfico?

Mulher em um lugar de objeto.

E quero deixar claro, que eu, não sou contra a nudez, ou a liberdade das pessoas realizarem seus desejos, o problema é nosso background, é nosso meio social é machista, e o capitalismo vai usar qualquer coisa pra vender necessidades de maneira predatória, custe o que custar, ainda que tenha que objetificar mulheres.


Mulheres em um lugar de sujeito de desejo.

Então acredito que seja mais necessário esse tipo de reflexão em nossas vidas, e em nosso universo duas rodas, não seria diferente das outras esferas que estamos inseridos, afinal, estamos imersos um uma realidade em transição constante de uma geração que era assim, em sua época, eque de fato tinha algum sentido nisso, mas que de alguma forma temos caminhado, ainda que a passos lentos, para este momento , onde cada vez mais as mulheres ocupem seu lugar de sujeito, guiando sua própria vida, motos e claro, fazendo ensaios sensuais, como um desejo que parte de dentro delas e vai de encontro ao nosso mundo real, a expressão corporal enquanto necessidade interna, natural, humana e singular, e não como uma forma de objetificação para agregar valor em moto e as fantasias sexuais masculinas de tiozões machistas que ainda vivem nos anos 30. #PAZ


Sendo assim, eu pedi uma ajuda, então aqui estão alguns relatos do Donna's Moto Grupo.




“Considerando a fotografia, a imagem, como uma forma de expressão, cabe analisar qual a mensagem você quer passar, e qual mensagem vai ser recebida. Muitas das vezes ensaios sensuais com motos são feitos com o intuito de vender, objetificando a figura da mulher, como se fosse um adereço a mais, um "atrativo"...”

“As fotos também tem uma mensagem pra passar e quanto dessa mensagem é só o intuito de vender? O quanto dessa imagem passa uma mensagem machista? Qual a representatividade? Qual a responsabilidade?”

“Nesse caso existe uma linha muito tênue entre a liberdade da mulher em se mostrar, se expressar sem julgamentos e uso dessa mesma imagem como objetificação, apenas pra vender algo, ou tornar mais atrativo.”

“Mas ainda assim mulheres precisam ocupar seu espaço no motociclismo ou em qualquer outro meio e fazer dele um lugar livre de objetificação e misoginia.”


"Ao longo de toda e constante história, a mulher é vista pela sociedade como preponderância doméstica, ou objeto sexual. Uma das mais famosas frases de Simone de Beauvoir, é a seguinte: Ninguém nasce mulher, torna-se mulher, nenhum destino biológico, psíquico e econômico é capaz de justificar a posição que a fêmea assume no seio da sociedade. Entretanto, grande parte da mínima participação feminina nos grupos, ou em qualquer outra atividade, vista como imoral para o sexo feminino, é causa primária da estereotipação da sociedade altamente machista."

E finalizando, uma das integrantes, disse que não se importaria de fazer, a mesma, diz que quebra vários paradigmas, tanto nas estradas, quanto em sala de aula, no momento cursa engenharia mecânica, e que teve que vencer as resistências tanto família e social, pela escolha de seu curso.


Fica aqui meu agradecimento ao Donna's pela contribuição, e a todas as mulheres que fazem a diferença pelo simples fato de viver em seu dia a dia o motociclismo, e que apesar dos desafios, e de comentários cretinos, elas te se tornado cada vez mais atuantes.

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