Os primeiros 2.400 km não se esquece

A jornada com a Speed Twin está só começando. Confira como foi o primeiro mês com ela.


Foto: Leandro Cotes

A Speed Twin foi uma moto que a Triumph lançou originalmente em 1935 e embora seu motor não tenha sido o primeiro dois cilindros verticais paralelos a trabalhar em perfeita harmonia, com certeza foi o exemplo mais influente da configuração de motor que se tornaria o sinônimo de motorização britânica para motos.

Triumph Speed Twin de 1935

E aí em 2019 a marca decidiu ressurgir esse nome com essa motocicleta que vocês estão vendo. Será que esse modelo faz jus ao modelo revolucionário de 1935? É difícil responder essa questão por algumas razões. a primeira é que eu não andei na moto original e sendo bem sincero acho difícil de isso acontecer. A segunda razão é que atualmente as revoluções parecem cada vez mais difíceis de acontecer.


O que posso dizer depois de já ter rodado 2.400 km com essa moto, é que ela é maravilhosa e anda muito. Mas isso é muito abrangente então eu vou segurar a minha emoção e tentar passar em palavras um pouco das minhas considerações iniciais pra vocês.


O projeto para a Speed Twin começou a partir da Thruxton R, lançada em 2015 (ou 2016 no Brasil) como um desafio para os engenheiros da Triumph, era pegar a potência, o torque e a tecnologia da Thruxton 1200 mas com menos peso e com diversos aspectos revisados. Por isso não se deixe enganar por sua aparência. Essa moto é uma lobo em pele de cordeiro. Graças ao chassi completamente novo, o acerto das suspensões e o conjunto de freios ela é muito ágil, pode andar como um foguete se você quiser e é muito mais do que uma Thruxton com guidão para cima.


Foto: Ciro Faria

Há alguns anos já a Triumph vem se concentrando mais no torque de seus motores e como ele reflete no desempenho da moto. Isso não significa que a potência é baixa, muito pelo contrário são 97 cv não é um valor que dá pra desconsiderar mas ainda assim, o que mais chama atenção é o torque e o quanto ele é linear.

Nessa moto você não encontra aquele buraco que é tão comum, seja em motores com 2,3 ou 4 cilindros. Isso acontece porque o torque máximo que são 112 n.m. é alcançado já a 4,950 rpm, muito cedo e a curva de torque aqui quase nem é uma curva, é mais uma linha reta, o que em essência significa que há quase 10 kg de torque em toda a faixa de rotação. desde o começo ali a 2.500 rpm até a linha vermelha a 7250 rpm. E essa caixa de câmbio? É uma delícia: 6 marchas com as mudanças são sempre rápidas e precisas. Já pilotei a moto durante um dia todo sem perder marcha em nenhum momento.


E é muito bom ter três modos de pilotagem e você consegue trocar eles facilmente durante a pilotagem. Basta pressionar o botão no punho esquerdo para selecionar o modo que você quer, o painel pisca, indicando a mudança, aí você fecha o acelerador e puxa a embreagem ao mesmo tempo, e o novo modo está ativo.

E o que os riding modes fazem é mudar a entrega da aceleração e a atuação do controle de tração. A potência continua sendo sempre 97 cv mas a forma como ela é entregue através do acelerador eletrônico é o que muda. O Sport é sem dúvida o modo mais legal e o melhor pra usar na estrada e até mesmo na cidade dependendo do que você estiver querendo sentir. Até o som da moto muda, ele fica bem mais audível. Mas o consumo também muda.


Esse é apenas uma das opções de cor para a Speed Twin. Existem a vermelha e a preta. Foto: Leandro Cotes

Claro que uma completa assim precisa dos outros modos para dar conta do recado do recado, e é aí que entra o modo Road, sensacional também para uma pilotagem não tão nervosa e o modo Rain que é claro sempre vai ser o melhor para quando você estiver passando pelo piso molhado. Porque essa moto é sobre isso: segurança, precisão e controle. E por falar em controle, o controle de tração pode ser desligado, mas para isso você precisa estar com a moto parada.

O chassi da Speed Twin merece um capítulo à parte e é o que torna ela tão diferente de motos “irmãs” como a T120 e é claro a Thruxton, que foi de onde veio a maior parte da inspiração. Esse quadro é novo para essa moto e foi desenvolvido a partir do quadro da Thruxton e tem um entre eixos um pouco maior justamente para ajudar na estabilidade. As rodas são exclusivas dela de alumínio fundido, 17 frente e trás e já calçadas com Pirelli Diablo Rosso 3 o que contribui muito para a ciclística dela. A moto realmente cola no asfalto permite acelerar bem com tranquilidade, segurança e nas curvas é onde ela realmente mostra o poder de fogo, é onde é possível ver o resultado de todo esse esforço de engenharia. Pinças Brembo de quatro pistões nos discos de 305 mm aqui na frente e cada bombada no manete é um impacto as pinças mordem o disco com precisão e impacto.


Lá fora a briga nesse segmento é uma briga boa, a Yamaha tem a XSR 900 que usa o motor da 09, a BMW tem a R Nine T que com a versão Pure talvez seja a concorrente forte aqui pelo fato de também usar rodas de liga, e a Ducati tem a Scrambler 1100 também deve ser uma moto legal pra competir com essa daqui. Porém, nenhuma dessas está aqui. Mas tem uma que concorre legal com a Speed Twin, a Kawasaki Z 900RS, uma baita moto também.


Veredito

A Speed Twin é incrível. É uma máquina que transmite uma sensação de força, é deliciosa de acelerar e é difícil parar de andar nela. A impressão que eu tenho é que engenheiros da Triumph queriam construir algo que misturasse a agressividade de seu motor 2 cilindros mais explosivo, com um chassi mais aprimorado e ergonomia acertada para rodar o quanto você quiser. Na minha opinião eles conseguiram.


Confira no vídeo abaixo algumas cenas da Triumph Speed Twin em movimento.



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