O que vamos fazer com essa tal liberdade?


“O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?”, cantou o poeta Alexandre Pires em uma das canções mais famosas do pagode nacional. Fiz a opção pelo terrorismo poético logo de cara para celebrar o fato de estar ausente desta honorável plataforma digital há meses. Inclusive, talvez seja a última. Descobri que os vídeos “vou deixar o YouTube” têm mais visualizações que os normais. Aqueles perfis famosos do TikTok devem estar certos.


Considerando onde você está lendo isso e que, mesmo sem termos nos visto pessoalmente, compartilhamos alguns interesses, o que temos é uma bolha de convivência. Eu gosto de moto, você gosta de moto, os demais 17 milhões de visitantes desta página gostam de moto. Todos gostamos de moto e, em nossa amostragem, 100% da população aprova a moto. Yey!



E desde o cgzeiro de coyote até o bigtrailzeiro cai parado, o discurso de que moto é liberdade vai ser repetido à exaustão em grupos de entregadores dos aplicativos e no “Patagônia 2022 - Agora vai!”. Tudo embalado ao som de “Born to be Wild” e “Jesus numa moto”. Há um lado positivo: quando você vê alguém parado com a moto no acostamento e seu instinto vai te dizer para encostar e ver se pode ajudar. O negativo é que, tirando as motos, nós não somos esse grupo unido que imaginamos.


Temos liberdade de irmos aonde quisermos, desde que a moto esteja em ordem, o licenciamento pago, respeitemos as regras impostas e tenhamos dinheiro para pagarmos duplamente pelo uso das vias. Vai um pagamento para quem deveria administrar e outro para quem administra de fato.



Temos liberdade de compartilharmos as mais variadas ideias, mas optamos por repetirmos aquelas já estabelecidas em nós somente com aqueles que concordam. Tem