O melhor jeito de entender o Rally Dakar


Quando pequeno havia o jogo de tabuleiro Paris Dakar. Não aprendi a jogar, mas sua capa despertou meu interesse para o Rally Paris-Dakar em uma época em que nenhuma dessas três palavras fazia sentido. Muito menos juntas.


E o que descobri desde então foi isso:


O Rally Dakar não é um rally. É uma jornada de resistência off-road que cobre milhares de quilômetros e leva semanas para terminar. Vamos começar do começo: em 1977, Elvis havia acabado de morrer, os Bee Gees tocavam sem parar no rádio e o francês Thierry Sabine perdeu o caminho no deserto da Líbia em sua moto durante uma corrida entre Abidjan (na Costa do Marfim) e Nice (na França). Sempre engenhoso, ele decidiu que aquele seria um bom percurso e logo o Paris Dakar nasceu.


Thierry Sabine se perdeu no deserto, criou o Paris Dakar e depois morreu no deserto.

A 1ª corrida foi no Natal de 78, quando 180 pilotos deram largada em Paris e cruzaram terras do deserto do Saara de norte a sul, atravessaram o Mediterrâneo e terminaram em Dakar, capital do Senegal semanas depois. Dos 170 participantes que largaram, apenas 69 cruzaram a linha de chegada.


Embora o icônico Paris Dakar tenha visto muitos heróis, vamos nos concentrar em dois dos maiores. Primeiro, o francês Stéphane Peterhansel. De 1988 até hoje, o cara participou de quase todos Rally Dakar, sendo a única exceção o de 94. Devia estar descansando. Afinal, ganhou as três edições anteriores! Ao todo ele venceu seis vezes de moto nos anos 90 sempre usando Yamaha. Desde 1999 quando passou a competir usando carros, o cara ganhou mais sete vezes.


Peterhansel em 1997. Seu último ano nas motos.

Outro piloto que merece destaque é Hubert Auriol. Um homem tão determinado a vencer que terminou a edição de 1980 em um táxi quando sua moto quebrou. Ele venceu o Dakar em 81 e 83 utilizando a BMW R80G/S.


BMW R Nine T GS? Não. A tia dela.

Entre todas as histórias de Auriol, uma das que mais se destaca é durante a penúltima etapa de 1987, utilizando uma Cagiva e liderando a classificação geral, ele decide tomar um atalho e sair da trilha principal. Hubert não percebeu as raízes de uma árvore e passou com tudo por cima delas tendo ambos os tornozelos destruídos. Surpreendentemente, ele pilotou um carro no Dakar do ano seguinte e passou a vencer em 1992, tornando-se a primeira pessoa a vencer tanto nas duas rodas quanto em quatro.


Em alguns momentos ele vai sentir uma dor horrível! Auriol de Cagiva em 1987.

O Dakar teve sua cota de calamidades nos anos 80. O filho de Margareth Thatcher, então primeira ministra do Reino Unido, junto com sua co-piloto e seu mecânico desapareceram por seis dias no deserto do Saara durante o Dakar de 1982 enquanto dirigiam um Peugeot 504. O desaparecimento foi no dia 9 de janeiro e eles foram declarados desaparecidos três dias depois. Foi iniciada uma busca em larga escala, incluindo seis aeronaves militares de três países e tropas terrestres da Argélia. Em 14 de janeiro, os militares encontraram Thatcher a 50 km de distância da trilha. Antes de Dakar ele disse - “Eu já corri em Le Mans e outras coisas - este rali não é problema."


Hoje em dia o Dakar começa e termina em Buenos Aires, dando uma grande volta na Argentina e no Chile. Ele tem sido na América do Sul há muitos anos, o que significa não só que o Rally Dakar não é um rally quanto ele também não passa mais por Dakar. Mas nada disso importa. Para os que enfrentam as condições mais severas e as estradas mais selvagens, o Dakar não é um lugar e sim um estado de espírito.



© 2020 - Motorama S. P. LTDA.

CNPJ 36.892.387/0001-85

-----

canalmotorama@gmail.com

-----

Envio dos produtos da loja de 7 a 20 dias a depender do produto.

  • Youtube
  • Facebook
  • Instagram