Você gosta de Intruder? Então gosta de moto chinesa


Esta é uma Intruder, ela é legal. Seja como a Intruder

Um rolê muito errado que já vivi várias vezes com a minha querida Intruder (me paga Guigo!) era ir naqueles supostos bares de rock com um monte de gente de motoclube/motogrupo/motocolete e ver a opinião das pessoas em relação às motos chinesas. “Não compro!”, “Jamais!”, “Eu nunca!”, esbravejavam os cidadãos. E diziam isso em cima do grande palanque moral que só uma Suzuki pode oferecer, mesmo que seja só uma Intruder.


Mas aí vocês que me desculpem. Faltou enfiar a mão na graxa e olhar a nossa querida Intruder com mais mais atenção. Tive que fazer isso já com uns 6 meses de vida com da minha, o chicote do farol deu mau contato. Tirei o tanque e segui o fio até achar o ponto que estava ruim. No caminho, vi todos os componentes chineses da elétrica da Intruder.


“Ah, mas isso não quer dizer que a Intruder é chinesa”. Não mesmo. Mas pensa aqui com o tio. Olhe a Haojue Chopper Road e você verá os mesmos comandos, o mesmo painel, quase que o mesmo banco, os mesmos punhos. A Chopper seria uma segunda geração da Intruder 125 que não existiu. E aí tem algo nem tão fácil de entender assim: a Suzuki tem como principal parceira para motos pequenas na China a Haojue. Ninguém produz por lá sem ter uma parceira local. E não vou nem falar da Intruder 150 indiana que é um horror, só ignoro.


Intruder 150 indiana. Só pela fé

Então, sim queridos amigos. A Suzuki Intruder 125, nossa pequena Miss Sunshine do motocoletismo tupiniquim, deriva de um projeto chinês. Se você gosta dela, não pode ter preconceito com motos chinesas. Eu até entendo, as primeiras que chegaram aqui eram horrorosas. Cheguei a andar numa Kasinski Win elétrica em 2021 que só pela fé. Não aguentou 50 km com uma carga e as baterias eram aquelas de caminhão, três instaladas no lugar do motor.

Quer passar raiva? A Intruder 125 europeia tinha motor em V

Aí precisamos falar do meu querido amigo J.Toledo da Amazônia LTDA. Adoro falar dele, tem até um vídeo no meu canal a respeito. Se você compra uma Suzuki no Brasil, você não está comprando da Suzuki, mas da J.Toledo. Importante diferenciar que a Suzuki não tem uma filial por aqui, só um representante. Meu caríssimo aí.


Se olhar rápido é uma Intruder

Aí a salada da Intruder fica ainda melhor: moto chinesa, montada em Manaus (AM), com emblemas Suzuki e comercializada por uma empresa brasileira. E ainda foi motivo de (falar com a voz da Sessão da Tarde) altas confusões até onde eu sei. E o que eu sei pode ser mentira. Como gosto de deixar bem claro, minha coluna não guarda o menor compromisso com a verdade.


A J.Toledo conquistou o direito de representar a Suzuki no Brasil ainda nos anos 1990, tempos em que ninguém botava fé em nosso mercado. Então, se alguém quer arriscar vender as motos lá melhor, o risco é do representante, não da marca. E por uns bons anos estava tudo bem. O Sr. Toledo focava nas motos grandes e ganhava uns bons trocados com isso.


Aí, reza a lenda, a Suzuki teria visto as coisas engrenarem por aqui. Mas precisava tirar o Toledo da jogada. Como o contrato era antigo e ninguém além dele acreditou no Brasil, a multa por quebra de contrato era alta. Então os japoneses deixaram só a ameaça: “ou vende as Suzukis pequenas por aqui, ou a gente quebra o contrato de qualquer jeito”.


Meio que a contragosto, lá pelos idos de 2004, fomos agraciados com a nossa querida “Suzuki” Intruder 125, a Yes 125 e a Burgman 125. Se você não teve uma das três, ou conhece alguém que teve, está mentindo. Como disse, comprei a minha proto-estradeira em 2007, no auge da renascença suzukeira no Brasil.


E fui mais uma vítima da falta de preparo da J.Toledo. Acostumados com motos caras e pouco volume de vendas, um mar de pequenas 125 começou a lotar as oficinas da marca, que não estavam preparados para lidar com gente chata, como eu. Fiz as revisões da Intruder em concessionária por um ano apenas. Riscaram meu chassi e, por duas vezes, me cobraram serviços não feitos.


Mais grave: uma conhecida comprou uma Yes logo após, acompanhei a entrega e, não estivesse lá este paladino da oficina que vos escreve, ninguém teria se tocado de conferir o ajuste dos freios. O traseiro, não estava nem parando a roda. Poxa, mesmo com a Intruder 250 que tive há uns cinco anos, bati no balcão de uma concessionária e a pessoa do atendimento não sabia que a moto existiu.


De qualquer forma, nunca fui com a cara dessa empresa. Traumas demais, não falam com a imprensa. Aí, quando achei que não ia ficar pior, tiraram a Intruder de linha. A J.Toledo criou uma segunda empresa, a JTZ, que iria passar a vender motos da Haojue nos segmentos de entrada. Do ponto de vista de negócio, faz sentido: a licença da Suzuki deve ser bem mais cara que a da Haojue. Mas a JTZ não se deu ao trabalho nem de mudar o catálogo. Saiu a Intruder, entrou a Chopper; saiu a Yes, entrou a DK; saiu a Burgman, entrou a Lindy.


Posso não gostar do visual, mas o novo trio tem uma proposta de valor, que nem eram as pequenas da Suzuki. Ou tinham, até o dólar disparar. Em condições normais, a Haojue é pequena, mas está sempre lá, bancando o Saulo Mazagão (piada com mineiro, Uai!) e comendo quietinho. Ninguém sabia o que era Haojue em 2017, nem falar o nome. Hoje, é a terceira maior marca do Brasil. E moto ruim não vende tão bem por tanto tempo.


Como eu sei que vocês pularam o texto inteiro, vou resumir para que possam voltar ao Pokemon Go: a Intruder era chinesa, apesar de Suzuki. Se você gosta de Intruder, não pode falar que jamais teria uma moto chinesa. Provavelmente você já teve e nem sabe.


Essa é a minha Intruder. Continua sendo usada como se deve


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