Incompletude humana: a busca da felicidade em tempos de marketing predatório.

Atualizado: Out 16

“Só lembre que essa história de ficar trocando de moto toda hora é fruto de um marketing predatório que incentiva um consumismo desenfreado. Ok, volta um pouco que acho que peguei pesado com vocês (me ajuda super-filósofo Mazagão).” Thiago Moreno





Hey Thiago, deixa eu andar contigo no recreio?

Então, eu não to aqui falando o que ninguém deve ou não fazer. A vida e o dinheiro é de vocês, então gastem como quiser, porém, eu acho curioso que eu e amigos meus, ficam babando em vídeos do Youtube, do gringo que vai lá, desenterra um CB 400 e reconstrói ela do zero, ou o americano, que compra uma Harley dos anos 70 pra manter a moto, isso quando o cara não acha a mesma moto e recompra ela de volta.



Gostamos de ver, e talvez nos falte um pouco de colhão pra manter nossas escolhas em meio ao sistema onde existe um marketing predatório, que quer empurrar características e sentimentos humanos, ou explorar nossos desejos de incompletude, que não estão em suas marcas, mas a marca os vende, como se a única e verdadeira felicidade fosse andar em uma Harley Davidson, ou numa V-Strom. São apenas motos, são objetos, e quanto mais cedo as pessoas amadurecerem esse pensamento, mais vão economizar, e menos insatisfeitas vão ser em vida.


Isso é uma moto, e ela não tem o compromisso de te fazer feliz...

Eu, assim como o Thiago, quero uma moto em que eu que tenha que saber o que fazer em situações A, B ou C. É importante pra mim saber dosar a porcentagem do freio traseiro e dianteiro, ou talvez ambos, e que mesmo se vacilar, o tambor traseiro vai travar, vai arrastar a roda e isso não se compra em concessionárias.



Isso é uma moto, e ela não tem o compromisso de te fazer feliz...²

A ideia do marketing predatório está muito longe do “kustom kulture”, onde em essência, motos como bobbers e choppers são modificadas, por questão de gosto pessoal do dono, e não por tendências de mercado, ou por falta de apreço a história.



Kustom Kulture está no SER e em sua ação...

Somos humanos, e nosso mecanismo da realização do desejo sempre será falho. Por mais que você escolha a melhor moto que seu dinheiro possa comprar, ela jamais trará felicidade plena, completude ou o estado de nirvana. Ela vai trazer contas, manutenções, talvez tombos e coisas desse tipo. Vivências que, entre seus ônus e bônus, podem ser até prazerosas pra quem é apaixonado por motos e está consciente dessas experiências.


Isso o comercial de moto não mostra...

O podcast Club Style em motos japonesas? Conheça o movimento Metric Club, que saiu a pouco tempo (ótima forma de se situar no tempo, valeu Thiago Moreno) mostra que pessoas estão experimentando coisas novas, motos e suas plataformas, seus projetos, e isso é muito bom. O desejo da criação na contra mão do desejo de consumo. O fazer de onde está e com o que se tem na mão. E claro, curtir esse percurso todo. Em qual parte da historia do motociclismo escreveram que não se pode Club Style de uma plataforma A ou B ? Ainda nesse episódio assim como em outros momentos do Canal Motorama, o Hugo diz que a melhor moto é a que temos e eu completo dizendo que o melhor tempo é o agora.


Uma relação saudável, dá trabalho...

Eu tenho uma relação muito saudável com minha moto, a Suzuki Savage 2001. Sempre que posso executar algum serviço nela, eu faço. Seja limpeza do carburador, troca do fluido de freio, limpeza do filtro, troca das buchas da balança, remoção dos pneus e limpeza ou troca dos cabos. Isso me rende experiência e me passa uma segurança a mais na hora de pegar estrada. Ela está muito aquém de ser um projeto perfeito, mas dentro do meu desejo por simplicidade e baixa complexidade mecânica, é o que tem de melhor e mais confiável cabendo no meu bolso.



Fazer algum serviço nela enquanto leio o manual de serviço escutando um punk rock na garagem e bebendo minha cerveja preferida está entre minhas coisas favoritas. As pessoas que sempre trocam de moto não vivenciam esse tipo de experiência. Eis o dilema das escolhas. Aprender sobre a moto que você tem no dia a dia, ou passar batido por inúmeras motos sem nenhum tipo de memória significativa?

Bons ventos... mas às vezes, é só chuva mesmo...

Bom mas isso, já é assunto para outro texto… até lá! Bons ventos!

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