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BMW custom: O que podemos esperar?

Atualizado: Mar 18

Enquanto outras montadoras apostam em motos menores e mais acessíveis - sem contar as motos elétricas que estão surgindo - BMW optou por seguir a contramão da concorrência. A questão é: por que entrar no mercado custom agora?


A BMW já preencheu a lacuna entre os entusiastas de motos clássicas com o modelo R nineT. Mas até agora, não oferecia uma moto que pudesse ser chamada de custom. Outras montadoras européias já o fazem há bastante tempo. Basta ver os modelos Diavel da Ducati e a Triumph com sua Rocket 3 e a antiga Thunderbird, recentemente substituída pela Speedmaster. São interpretações européias dos modelos que mais tem apelo com o motociclista norte-americano. Essa ausência da BMW muda agora com uma nova moto.

BMW Conceito R 18

Quando lançou a R nineT em 2014, a BMW já dominava o cada vez mais popular segmento de big-trails. A boa resposta que o modelo clássico obteve em alguns cantos do mundo (aqui no Brasil a moto chegou a ser lançada em 2015 mas foi descontinuada devido ao baixo número de vendas) e principalmente na Europa foi o suficiente para gerar mais quatro versões da moto e deixar claro que além de mandar bem em big-trails e motos de alta performance como a S 1000 RR, a empresa é capaz de homenagear sua rica história e criar motos clássicas modernas.


Já naquela época, a estratégia era clara, e o enorme feedback positivo encorajou a empresa a seguir nesta direção. Assim, a BMW começou a adotar uma abordagem mais séria no que diz respeito ao desenvolvimento de sua moto custom.


Na última década o design clássico conquistou o coração dos motociclistas que se tornavam cada vez menos interessados ​​em performance e velocidade máxima, e mais interessados em projetos simples e motos que oferecem uma experiência de pilotagem pura. Em vez de complexidade, o foco está na simplicidade, autenticidade e um certo romantismo pela mecânica da moto. Isso é o que despertou o interesse em grande parte de nós, e é o que torna o segmento custom tão forte. Talvez não esteja tão forte aqui no Brasil como já foi há alguns anos. Mas o mercado vive em ciclos e constantemente se repete.


Então a equipe Heritage da BMW (sim, eles tem uma equipe com esse nome) começou a construir um grande motor que fosse capaz de competir com nomes de peso como Harley-Davison. E quando se trata da BMW e sua história, a escolha é óbvia: o motor boxer. O motor que melhor representa a história da marca e sua herança de mais de noventa anos fabricando motos. Esse boxer teria que ser o maior motor que a marca bávara iria construir até então. No segmento custom as regras são claras: o tamanho importa. Surgia então o novo boxer de 1.802 cm³, potência de 91 cv a 4.750 rpm e torque de 16,11 kgf.m a 3.000 rpm.


Quando o conceito R 18 foi apresentado em 2019, as reações foram as melhores possíveis e o mundo ficou ansioso para ver que moto ia surgir a partir dali. Hoje, um ano depois, a marca finalmente definiu a data de seu lançamento oficial. Mas é fácil ignorar os desafios que uma equipe de engenheiros passa ao criar uma moto nova quando temos ela pronta em nossa frente. Já parou para pensar como eles tiveram que lidar com o desafio de colocar o comando avançado em uma moto com motor boxer?


Projetar uma moto em torno de um propulsor tão grande - principalmente quando seu layout conta com dois cabeçotes contrapostos - deve ser um grande desafio. Toda a equipe de design refletiu sobre a idéia de usar um motor diferente para conseguir encaixar o comando avançado. Após muita tentativa e erro, tomaram a decisão de priorizar o design boxer do motor em detrimento da posição de pilotagem com os pés à frente. Era impossível ter as duas coisas. Chegaram a conclusão que não há necessidade para essa posição de pilotagem. A BMW nunca teve uma moto assim, e essa não seria a primeira.


No final, o boxer venceu. Desde o primeiro dia, esses motores têm sido o dna da BMW Motorrad. Além de representar a história da empresa, eles têm uma personalidade própria e acrescentam uma presença única à estética da R 18. Observe a foto abaixo e veja como, visto de cima ele é lindo. Deve ser difícil pilotar uma moto e querer ficar olhando para baixo toda hora para admirar o motor.

Foto de Gregory George Moore

Quando chegou a hora de construir o restante da moto, haviam desafios que diferenciavam a R 18 dos modelos anteriores da BMW. O maior deles foi obter uma aparência simples, sem os chicotes, fios e cabos à vista. Por fim, a R 18 saiu muito "limpa", uma característica que ao que tudo indica parece que vai permanecer no modelo de produção.


BMW R 18/2

A R 18/2, o segundo conceito apresentado, e que ao que tudo indica está mais próximo daquilo que será de fato o modelo de produção, é uma iteração mais moderna tanto estética quanto mecanicamente. A primeira moto conceito possui carburadores duplos enquanto a segundo é injetada. São essencialmente a mesma base e compartilham o mesmo motors, chassi e eixo cardã (que inclusive é maravilhoso porque deixa a transmissão à mostra), mas tem rodas e ângulo de direção diferentes. O conceito R 18 apresenta alavancas de embreagem e freio que se articulam na extremidade do guidão, ao contrário dos manetes convencionais da R 18/2. E a pequena carenagem frontal na R 18/2 adiciona um toque mais moderno ao design clássico.


Sem dúvida, elas são projetadas com paixão e provavelmente vão interessar uma parcela dos futuros e atuais clientes da marca. Seguindo pistas de seu passado, a BMW está apelando a todo um novo conjunto de clientes que, até agora, ainda não havia se identificado com motos custom, ou cruiser como são chamadas lá fora. Da mesma forma, a R 18 pode abrir a marca para o público norte-americano fiel às suas Indians e Harleys, e que nunca antes iriam considerar uma moto BMW. Só essa iniciativa da montadora alemã por si só já é bastante interessante e podemos esperar mais coisas boas da BMW Motorrad.